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domingo, 21 de outubro de 2012

Para quem curte ler.

Numa negra, profunda noite de inverno, eu via o sofrimento dos meus filhos, estavam com frio, fome e eu sentia que a morte estava se aproximando.
Eu estava fraca e meu marido se entregou ao álcool.
Ele nem se quer olha para os nossos filhos. Não consigo mais seguir em frente. Não queria que eles presenciassem tal sofrimento.
Queria que eles tivessem uma mãe que não fosse uma viciada em heroína, e que não tivessem um pai alcóolatra maldito. Que chega em casa bêbado e nem um misero pão, ele não compra para as pobres crianças.
Estou muito fraca, raquítica e não consigo mais amamentar o meu filho mais novo, ele esta sugando o meu sangue, o leite não esta saciando a fome da pequena criatura.
Meu filho mais velho, de 10 anos, vem pouco em casa e o único alimento que temos e graças ao trabalho do pequenino. Ele recolhe lixo e ganha uns trocados com isso.
Sua irmã, dois anos mais nova, já é uma prostituta.
Ela sai de casa de salto e roupas extremamente curtas. Eu não quero que ela tenha uma vida podre como essa, mas ela não me respeita mais. Isso tudo é culpa do pai dela.
Aquele vagabundo a estuprou.
Cheguei ao ponto de pegar a pistola e colocar na minha boca, e sentir o gosto da pólvora em minha língua. Pois vi nesse momento que eu não era capaz de defender os meus filhos.
Era apenas uma vadia drogada.
Não consegui fazer nada naquele momento. Não sei o que fazer com tanta desgraça, tanta frustação, tanta tristeza.
Não quero que os meus filhos sofram.
Agora, o meu filho mais velho sumiu. Faz um mês que ele não vem em casa. Ele deve ter se cansado disso tudo, de ver sua mãe drogada, do pai bêbado e de ver os irmãos passando fome.
A minha filha chega em casa todos os dias, com cheiro de cigarro e bebida.
E o bebê, pobre coitadinho... Está muito fraco.
Não quero vê-lo sofrer, mas também não quero que ele morra. Ele está nos meus braços agora....
É a hora do descanso.
Ouvi o seu choro pela ultima vez, enforquei o meu filho.
Uma criança agoniada, sendo enforcada pelas próprias mãos de sua mãe.Senti por uma momento que estava ficando louca.
Me levantei e coloquei aquele pequeno corpo gélido e enrijecido no quarto.Em seguida fui para a cozinha e peguei a faca.
Fiquei sentada em uma cadeira esperando a minha filha, aí acabei adormecendo ali.
Ouvi um barulho na casa.
Era ela.
Ela foi tomar banho, ouvi o barulho do chuveiro.
Fui até ela.
A peguei pelo pescoço e enfiei a faca em sua garganta.A faca impulsionada, enfincada por uma raiva desesperada, tornei essa noite uma tempestade de sangue.
O sangue da minha filha esguichava em meu corpo.
Arrastei-a até o quarto e comecei a esquarteja-la, o barulho dos nervos, nervos contorcidos a estralar.
Coloquei as partes do seu corpo em uma mala e deixei um bilhete em cima do mesmo.
Fui ao quarto e o corpo do meu bebê estava lá, dei um beijo de boa noite e abri o guarda-roupa .
Peguei a heroína e a cocaína e segui para o banheiro. Passei na cozinha e peguei uma bebida e alguns comprimidos, continuei indo para o banheiro.
Abri a porta e vi aquele tapete de sangue no chão. Encostei na parede e comecei a chorar.
Eu matei os meus filhos.
Abri a garrafa e comecei a beber.
Acendi o cigarro e misturei a droga. Em seguida injetei em mim.
Me senti zonza, fraca, como se algo estivesse sugando a minha lucidez. Está tudo bem agora.
Finalmente aquele sofrimento acabou, e aquele inferno de podridão teve um fim.
Agora não há mais lagrimas pois abri as portas para o silêncio.

Um comentário:

  1. me lembro como se fosse ontem, vc escrevendo parte em parte eme mostrando o quanto vc e boa com as palavras, que de uma em uma vai se transformando nessa historia tao marcante, no qual quem comeca a ler nao para antes do fim..... parabens, vc e a escritora de que o mundo precisa, a que conta a realidade e nao simplesmente contos de fada.... \m/,

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